Órgãos de imprensa já se calejaram por levar multas de
devido à publicação de pesquisas eleitorais. É um assunto indigesto, porque o
calor da diz puta faz grupos políticos deixarem de lado o bom senso e a agir
sem medir consequências. Vem daí a necessidade de dar a todas as pesquisas o
mesmo tratamento. Cada um compra seu espaço e, se a pesquisa estiver legal,
divulga como quer. Legal não quer dizer correta, porque a justiça não tem como fiscalizar
pesquisa por pesquisa. E aí se vê, em cada campanha, grupos políticos
divulgando pesquisas que não se confirmam nas urnas. Claro que a Pesquisa é o
retrato do momento e, fora a boca-de-urna, não precisa que confirme o candidato
que estava na frente, mas toda pesquisa mostra uma tendência. O candidato A estava
na frente, mas o B vem conquistando mais votos e pode até ultrapassar o A, como
acontece na maioria das campanhas, em algum lugar. Beltrão de 2016, por
exemplo, começou com Cleber em terceiro, mas com tendência de recuperação, o
que se confirmou e ele se elegeu. Nesta campanha em Beltrão, não houve
novidade, a mesma intenção de voto se manteve no início ao fim. O Jornal de
Beltrão manteve sua tradição de publicar pesquisas durante a campanha
municipal, com assinatura da Radar Inteligência. Foi uma campanha morna, sem
reviravoltas, de resultados previsíveis, e os números previstos se confirmaram.
Mesmo assim, nas duas pesquisas publicadas, dias 15 e 31 de outubro, teve
partido político entrando com recurso. Pensava-se que o uso desse tipo de
recurso ridículo fosse coisa do passado, como aconteceu desde 1992, primeiro
ano do Jornal de Beltrão numa campanha de eleição municipal. “O que falta nessa
pesquisa que está sendo proibida de publicar?” “Item tal e tal.” Tá bom, então
vamos fazer nova pesquisa conforme suas exigências. Mesmo assim havia a
tentativa de proibir a divulgação. Proibir por proibir? Cada um divulgue
conforme sua competência. E o tempo se encarrega de manter os bons órgãos de
imprensa, assim como as boas empresas de pesquisa, e fechar os demais. Em
Beltrão, temos uma empresa de pesquisa que nos orgulha. A Radar Inteligência se
mantém no mercado porque não foi criada para uma única campanha, como acontece
como muitas empresas do ramo. O que vale é a informação verdadeira, não se importa
se agrada ou não. Olhando para o futuro e sem medo da realidade. O cenário de
derrota de hoje pode ser o cenário de vitória de amanhã. Quem está no meio é
que sabe avaliar o peso de uma pesquisa feita por empresa que tem nome. O que
fica difícil aceitar é ver o candidato que está em desvantagem buscando uma
pesquisa de empresa venal e, não conseguindo, tentando de todas as formas
impedir a divulgação de uma pesquisa verdadeira. E a campanha fica igual um
jogo que se pode narrar o domínio de bola de uma equipe sobre a outra, mas sem
dar o placar do momento. Este lado da campanha a legislação deixa ainda muito a
desejar.
Texto: EDITORIAL Jornal de Beltrão – Edição: Sábado,
28 de novembro de 2020 – Ano 32 – n° 7.088


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